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Suposta relação entre vacinas e tromboses em gestantes é apurada

Morte de mulher no Rio de Janeiro fez Anvisa suspender aplicação da Astrazeneca em gestantes; professora da Unit explica o que são tromboses e como elas se formam

às 21h06
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A saga pela confirmação da eficácia das vacinas contra o coronavírus ganhou um novo capítulo nesta semana, com a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender, temporariamente, a aplicação da vacina da Oxford/Astrazeneca em gestantes. A decisão foi tomada para investigar o caso de uma mulher de 35 anos que morreu no Rio de Janeiro, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). O bebê que ela esperava também faleceu. Segundo o órgão, a paciente tinha tomado a primeira dose da Astrazeneca e deu entrada com quadro de AVC no último dia 5 de maio. 

Esta suspeita ainda não está confirmada, mas pode ser levada em conta devido aos riscos de formação de tromboses em determinados grupos de pacientes. A professora Pollyanna Domeny Duarte, do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe), explica que a trombose é um evento no qual a circulação sanguínea fica obstruída, impedindo a oxigenação dos tecidos do corpo que ficam após o local da obstrução. 

Segundo ela, a trombose pode ter danos irreversíveis, a depender de alguns fatores, e sempre tem múltiplas causas combinadas. “O organismo tem uma predisposição para obstruir (os vasos podem ter danos natos ou adquiridos e/ou os fatores sanguíneos de coagulação que podem ter defeitos natos ou adquiridos). As causas adquiridas dependem de situações externas (infecções, repouso prolongado, pós operatório, uso de medicamentos) e podem ser transitórias (viagens, cirurgias, infecções) ou permanentes (associadas a doenças crônicas)”, afirma Pollyana.

Outra explicação está em certos tipos de reações corporais, que podem ser causadas pela introdução das vacinas no organismo, mesmo que, em sua maioria, elas não causem danos.“Vacinas exercem efeitos no sistema imunológico e características próprias do indivíduo, que podem ter respostas mais exacerbadas com a liberação de substâncias inflamatórias junto a outros fatores associados, favorecendo evento trombótico”, assinala a professora, esclarecendo que as gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto) costumam desenvolver um maior risco de formação de tromboses, pois estão em um estado fisiológico inflamatório próprio dessas fases. “Algumas vezes, existe a combinação de mais de um fator, além do momento obstétrico próprio da mulher para risco trombótico aumentado (trombofilia). E a vacina pode ser um precipitador/desencadeador”, afirma ela.

Vacinas são seguras

Não há prazo definido para que a Anvisa conclua as investigações sobre o caso ocorrido no Rio, mas ela própria têm garantido que a suspensão é temporária e que a vacina continua com aplicação liberada para os outros grupos, visto que os benefícios de eficácia e segurança têm se confirmado e superado os riscos. O mesmo aconteceu em países da Europa, que suspenderam as aplicações de vacinas da Astrazeneca e da Pfizer/BioNTech para apurar doenças suspeitas, retomando-as depois que estas suspeitas foram descartadas. 

“Acredito ser pouco provável que a vacina seja suspensa, uma vez que há muitos outros pacientes expostos a ela sem apresentar trombose. Estudos específicos são necessários, por isso se suspende [a vacinação] até que se possa reassegurar a vacina para esses grupos. A maioria das gestantes e puérperas não desenvolveu trombose”, esclarece Pollyana, orientando às gestantes que tomaram a primeira dose da Astrazeneca para que elas sigam as orientações do obstetra para um pré-natal e pós-parto seguro, mantendo igualmente “hábitos saudáveis, atividade física e hidratação adequada”. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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