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Redes sociais e a cultura dos haters: quais as causas de tanto ódio?

O mercado do ódio, infelizmente, está cada vez mais em alta, dizem especialistas

às 21h45
Autores de mensagens de ódio na internet podem desenvolver traços de sociopatia (Unsplash)
Autores de mensagens de ódio na internet podem desenvolver traços de sociopatia (Unsplash)
A professora Karolline Helcias Acácio, do curso de Psicologia da Unit Alagoas
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A cultura de agredir pessoas e praticar ações de intolerância e ódio nas redes sociais está cada vez mais latente. E quem costuma praticar esse tipo de violência, os famosos haters, segundo especialistas, muitas vezes acabam se fortalecendo na impunidade. Mas, quais as causas de tanto ódio?

De acordo com a psicóloga e professora preceptora de estágio em Psicologia Organizacional do Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas), Karolline Helcias Pacheco Acácio, essa cultura é cada vez mais disseminada no universo virtual e a cada ação, se torna ainda mais violenta.

“Os haters aparecem muito nas redes sociais e isso virou uma cultura, uma forma de violência muito comum hoje em dia. O problema é que essas pessoas que praticam esse tipo de agressão se prevalecem do fato de a rede social, de certa forma, terminar protegendo-as. A plataforma favorece o perfil do agressor, pois muitas vezes o hater se esconde atrás de um perfil falso para poder violentar alguém”, explica.

Ainda segundo a professora, conteúdos que contenham sinais de perversidade são característicos do perfil do agressor. “Geralmente, o perfil dos haters tem um pouco de perversidade, mas por trás disso, pode existir uma pessoa que tem uma fragilidade emocional. E ela se utiliza desse meio para conseguir se expor e violentar outras pessoas, se sentindo de certa forma fortalecida pela impunidade já que, apesar dos avanços, casos de crimes praticados no ambiente virtual muitas vezes não dão em nada. Seja pela falta de denúncia ou pela demora em identificar os transgressores”, frisou.

Normalmente, quem se esconde nos perfis falsos e se utilizam desses ambientes virtuais para agredir outras pessoas, traz traços de sociopatia, perversão e outras psicopatologias. “É preciso analisar o perfil desses sujeitos para ter um diagnóstico mais amplo”, explicou. 

Vítimas expostas e violência psicológica

As pessoas agredidas pelos haters podem sofrer uma série de consequências, entre elas, a exposição. “A vítima geralmente sofre uma violência psicológica e, muitas vezes, moral.  Dentro das consequências também estão problemas ligados ao estresse que a situação causa e à frustração que a agressão pode trazer, porque as ações escritas ou faladas provocam na pessoa agredida o medo e a angústia”, observou Karolline Acácio, ao ressaltar que é uma violência muito semelhante ao bullying, mas de uma forma mais intensa.

“Porque normalmente as mensagens que são postadas são de cunho agressivo, têm um perfil mais violento de quem pratica essa ação. Esse é um movimento social muito comum na atualidade, talvez pela própria configuração da sociedade que está cada vez mais presente nas redes sociais, utilizando o espaço para se posicionar e se expor. Infelizmente, esse é um espaço que protege e esconde quem tem perfil de agressor”, disse ela. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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