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Psicóloga orienta a como preparar crianças para a volta às aulas

Luciana Andrade afirma que conversa franca e honesta pode ser uma boa saída para evitar a ansiedade no 'novo normal' de volta às aulas

às 14h41
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Quase sete meses já se passaram desde que as medidas de isolamento social, entre elas a suspensão das aulas presenciais, por conta da pandemia pelo novo coronavírus foram adotadas no Estado. Desde então, famílias alagoanas, como outras no mundo inteiro, adaptaram suas rotinas; confinadas em casa, passaram a lidar com as incertezas de uma nova realidade que se impunha a todos. 

Mais recentemente, com a implantação de protocolos de segurança que permitem o retorno gradual das atividades, as pessoas passaram a enfrentar outro momento de angústia: é preciso voltar ao convívio social e reaprender rotinas que garantam a segurança de todos. 

Se para os adultos essa reinvenção da vida não tem sido uma tarefa fácil, para crianças e adolescentes o retorno às atividades sociais pode ser ainda mais difícil. Enquanto as autoridades discutem quando a volta às aulas presenciais será possível, papais e mamães precisam conversar com franqueza e honestidade com seus filhos.

A psicóloga e professora do Centro Universitário Tiradentes (UNIT/AL), Luciana Andrade, explica que a ansiedade aparece de forma acentuada em algumas crianças quando elas não entendem o que está acontecendo à sua volta.

“Conversar com a criança é fundamental; respeitando a idade do desenvolvimento dela, mas deixando claro o porquê das coisas: porque foi preciso ficar em casa por tanto tempo, porque deixamos de ir ao parquinho, de ver os amigos ou mesmo de ir à escola, as perguntas precisam ser respondidas”. Segundo a psicóloga, esconder, não ouvir e não esclarecer as dúvidas das crianças só aumentam a expectativa e a ansiedade, já que elas não vão saber lidar com o que não conhecem ou não sabem o que é.

Mudanças nas aulas

Vencida a etapa de cuidados com as crianças durante o isolamento social, é hora de começar a prepará-las para retornar às atividades sociais. A realidade anuncia uma nova rotina também nas escolas, sem abraço no coleguinha, beijo na tia, nem troca de lanche. O contato físico entre as crianças, seja para ouvir histórias ou brincar de roda, ainda é uma realidade distante, diferente da máscara cuja presença é fundamental.

Esses fatores, segundo Luciana Andrade, alertam que ainda é muito cedo para retomar as atividades presenciais nas escolas. “As medidas sanitárias nos alertam que agora não é a hora para reabrir. É claro que a escola é o espaço onde as crianças encontram os amigos e mantêm um vínculo social bacana. Com a pandemia, elas perderam parte disso. Mas as escolas têm feito um esforço enorme para manter os vínculos”, alerta.

Lidar com as novidades impostas pela pandemia está exigindo muito das crianças. Segundo a psicóloga, crianças pequenas, por exemplo, estão demonstrando medo de pessoas, porque entenderam que elas podem transmitir o vírus. Ela indica que famílias criem mini circuitos entre elas mesmas que lhes tragam segurança e minimizem o sofrimento dos pequenos. 

“É necessário mostrar às crianças que o ser humano é o alvo do vírus, mas que ele não é perigoso. É hora de estreitar os laços, tirar os problemas que estavam escondidos embaixo do tapete e parar de super protegê-las. Sabemos que a criança, por meio do lúdico, ganha um poder de resiliência que os adultos deixaram de dar importância. Que possamos escutá-las mais e dar vazão à sua criatividade”, aconselha a psicóloga.

Por Clarissa Veiga – Algo Mais Consultoria e Assessoria

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