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Possível crise hidrológica impõe desafios à produção de energia

Poucas chuvas e baixo nível de reservatórios podem afetar produção de energia e água; professor da Unit defende fontes renováveis e tecnologias para otimizar fornecimento

às 15h59
Usina de Xingó, no Rio São Francisco, entre Canindé do São Francisco (SE) e Piranhas (AL): 62% da energia elétrica no Brasil é produzida por hidrelétricas (Divulgação/Chesf)
Usina de Xingó, no Rio São Francisco, entre Canindé do São Francisco (SE) e Piranhas (AL): 62% da energia elétrica no Brasil é produzida por hidrelétricas (Divulgação/Chesf)
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Uma nova preocupação entra no radar dos brasileiros, com a lenta diminuição dos casos de coronavírus, a possibilidade de retomada mais acelerada da economia e o aumento da demanda por produtos do agronegócio e matérias-primas da indústria. O país pode enfrentar uma grave crise hidrológica, com pouca disponibilidade de produção de energia e água, principalmente para atender às demandas do setor produtivo. Essa possibilidade já é admitida pelo governo federal, que criou uma Sala de Situação para acompanhar o assunto, comandada pelo Ministério das Minas e Energia. 

Entre as principais preocupações do governo e dos especialistas, está o baixo nível de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, principalmente as instaladas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que começam agora a enfrentar um período de estiagem. “Apesar do Brasil apresentar quase um quinto das reservas hídricas do mundo, a falta de água é uma realidade em várias regiões do país. Além disso, a água não é igualmente distribuída no território brasileiro”, disse o professor Renan Tavares Figueiredo, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP), da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe).

Para ele, as principais causas para a falta de água no Brasil são o aumento do consumo e do desperdício de água, a diminuição do nível de chuvas e o desmatamento de florestas na Amazônia e em outras regiões, o que também interfere no ciclo de chuvas. Tavares aponta ainda mais um fator: a ausência de tecnologias sustentáveis que proporcionem novos meios para captação, tratamento e distribuição uniforme e de fácil acesso à população. “Apesar do Brasil conter quase 1/5 de toda água mundial, é constrangedor escutar que existe falta de água no país. Ele necessita adotar novas tecnologias para captação, purificação e distribuição de água, expandindo o campo de ação para atuar com tecnologias descentralizadas, de pequeno porte e que possa ser mantida com o uso de energias renováveis”, destaca.

As usinas hidrelétricas, que dependem da vazão dos rios, respondem hoje por 62% da produção de energia do Brasil, o que compromete não apenas essa produção, mas também a oferta de água à população, a produção de alimentos e o andamento dos setores econômicos. O professor do PEP acredita que “o uso intensivo das hidroelétricas possibilitou ao Brasil um status de independência energética durante muitos anos”, mas agora a crise impõe a necessidade de adotar alternativas sustentáveis. “Com o advento de novas tecnologias para geração de energia, como a biomassa, energia eólica, biogás e hidrogênio como vetor energético, energia termosolar e fotovoltaica, é imperativa a adoção de novas tecnologias descentralizadas para proporcionar independência e suprir a escassez”, ressaltou.

Energia alternativa

Uma das alternativas mais imediatas adotadas pelo governo foi autorizar a ativação das usinas termelétricas, que produzem energia a partir da queima de combustíveis, como o gás natural. No entanto, esse tipo de produção tem custos muito altos e já provocaram um aumento de até 8% nas tarifas de energia elétrica. Há também desvantagens ambientais, sobretudo nos altos riscos de poluição do meio ambiente. Para o professor Renan, a redução dos custos e a otimização da produção passa por aperfeiçoar o uso das fontes convencionais de energia (petróleo, energia nuclear, energia hidráulica, carvão, lenha, etc.), reestruturar o uso da energia, aumentar o rendimento das máquinas de conversão e intensificar o uso das fontes não convencionais de energia (solar, eólica, geotérmica, marés, etc.). São desafios a serem enfrentados sobretudo pelos setores de Engenharia do país.

Figueiredo elencou atitudes que devem ser adotadas para enfrentar a escassez de água, envolvendo o poder público, a comunidade e cada pessoa individualmente. São elas: 

• Utilizar a água de maneira racional
• Reuso da água
• Reutilizar a água da chuva
• Conservar as bacias hídricas, nascentes de água e rios
• Técnicas de irrigação mais eficientes
• Tecnologia social e energias renováveis para tratamento de águas 
• Controle e minimização dos impactos ambientais da produção de energia

“Toda geração de energia, seja a partir de fontes não renováveis ou renováveis, causa impactos ambientais com maior ou menor intensidade. Diante dessa realidade, a sociedade contemporânea está entre o dilema geração de energia versus consumo”, pontua Renan, acrescentando que a questão energética de um país “está intrinsecamente ligada às políticas socioeconômicas e ambientais empreendidas pela gestão pública”.

Asscom | Grupo Tiradentes

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