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Parte dos brasileiros ainda não domina bem o português

Português é adotado como língua oficial do Brasil desde a colônia; baixa proficiência de estudantes do país em leitura e baixa escolaridade prejudicam domínio do idioma

às 19h53
Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: idioma é adotado como oficial desde o Brasil Colônia (Divulgação/Secretaria de Cultura-SP)
Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: idioma é adotado como oficial desde o Brasil Colônia (Divulgação/Secretaria de Cultura-SP)
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O dia 21 de maio marca o Dia da Língua Nacional, data dedicada aos idiomas oficiais adotados em cada país. A data chama a atenção para os níveis de domínio que a população tem em relação ao seu idioma, o que pode ser aferido por itens como leitura e escrita. No Brasil, que adota o português como idioma oficial desde 1759, ainda sob colônia do Reino de Portugal, o assunto preocupa, pois uma parcela significativa da população não domina totalmente o próprio idioma.

Segundo o professor Artur André Campos, PhD em Ciências da Educação, coordenador do Unit Idiomas e docente do curso de Letras/Inglês da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe), “isso pode ser medido nos baixos níveis de compreensão de leitura demonstrados pelo Pisa”, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, principal estudo sobre educação do mundo. A edição 2018 do exame apontou que o Brasil tem baixa proficiência em Leitura, Matemática e Ciências, se comparado com outros 78 países que participaram da avaliação. 

O resultado revelou que cerca de 50% dos estudantes brasileiros não atingiram o mínimo de proficiência que todos os jovens devem adquirir até o final do ensino médio. E que eles estão dois anos e meio abaixo dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em relação ao nível de proficiência em leitura. Ainda de acordo com o estudo, apenas 0,2% dos 10.961 alunos atingiram o nível máximo de proficiência em leitura no Brasil. Artur frisa que os resultados do Pisa estão estagnados desde 2009 e refletem outros problemas que o país enfrenta historicamente no acesso à Educação

“Essa questão é extremamente complicada, uma vez que os níveis de escolarização dos brasileiros são baixos”, diz o professor, citando o PNAD Educação 2019, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Apesar da proporção de pessoas de 25 anos ou mais com ensino médio completo ter crescido no país, passando de 45% em 2016 para 48,8% em 2019, mais da metade (51,2% ou 69,5 milhões) dos adultos não concluíram essa etapa educacional. Sendo assim, como 51,2% dos brasileiros não concluíram o Ensino Médio, fica difícil dominar a norma culta da língua portuguesa e suas inúmeras regras gramaticais e ortográficas”, destacou.  

Muitas pessoas acreditam que o uso de gírias e expressões populares seriam também um indício de falta de domínio do idioma. Mas o professor Artur André não crê nessa correlação. “A informalidade colocada na parte oral de um idioma tem uma função social e de colocação de discursos. Isso acontece em todas as línguas. A gíria pode ser utilizada para se sentir incluído em determinado grupo ou área de atuação mas, pessoalmente, não vejo isso como empecilho para domínio da norma culta da língua”. 

Em compensação, o domínio e a valorização da língua oficial pode ser adquirido e melhorado com uma dedicação maior ao estudo do idioma, o que passa principalmente pela qualificação escolar e profissional, visto que o próprio mercado de trabalho sempre exigiu um melhor domínio da norma culta do português. “É através de muita leitura, interesse em dominar a língua portuguesa e, principalmente, da necessidade profissional na utilização da língua. Profissionais que precisam ter domínio completo da gramática normativa devem se dedicar ao estudo da mesma”, conclui Artur, que recomenda “leitura, muita leitura”.

Asscom | Grupo Tiradentes

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