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Livros que inspiram filmes: os desafios das adaptações para o cinema

Ganhador de três prêmios no Oscar, incluindo o de Melhor Filme, Nomadland foi inspirado em um livro que aborda a vida dos nômades

às 14h46
Outras adaptações da literatura foram bem-sucedidas e também tiveram sucesso no cinema (Unsplash)
Outras adaptações da literatura foram bem-sucedidas e também tiveram sucesso no cinema (Unsplash)
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Um dos filmes premiados do Oscar 2021, Nomadland, foi inspirado no livro de mesmo nome escrito pela jornalista americana Jessica Bruder. A obra, lançada em 2017 nos Estados Unidos, deve ser publicada no Brasil agora em 2021, ainda sem data prevista. Nesta categoria de livros que inspiram filmes, muitos são os desafios das adaptações para o cinema.

Foram três anos percorrendo estradas e até trabalhando em empresas que costumam contratar em sua maioria idosos ‘nômades’ por salários inferiores, em busca de histórias de pessoas reais que adotaram esse estilo de vida por diversos motivos. Ao analisar as vivências e experiências desses americanos que passaram dos 60 anos, a escritora pode se aprofundar na realidade daqueles que a essa altura da vida se viram sem casa, sem trabalho, sem auxílio da previdência social e encontraram em seus veículos e na estrada uma nova forma de viver. Ou melhor, de sobreviver.

O livro adaptado para a telona tem no filme dirigido pela chinesa Chloé Zhao, que está entre as mulheres premiadas, tendo ganhado o prêmio de Melhor Direção no Oscar. Essa realidade é interpretada por ‘nômades’ reais, pois vários dos personagens citados no livro, interpretam a si mesmo no longa metragem ao lado da atriz Frances McDormand, que figura como personagem principal da película e venceu o Oscar de Melhor Atriz. A adaptação também foi escolhida para o prêmio máximo, de Melhor Filme. 

“A questão central dessas adaptações passa pelo roteiro. É neste material que você irá fazer a descrição de alguma coisa que você pode mostrar ou diálogos. Enquanto que na literatura você está escrevendo sobre profundidades da alma, por exemplo, você pode falar sobre esse estado emocional, sem necessariamente descrever uma ação, algo que para o roteiro de cinema é fundamental. Nós temos exemplos bem sucedidos de adaptações de livros para o cinema aqui no país o caso das obras de Nelson Rodrigues, como ‘Beijo no Asfalto’, ‘Bonitinha, Mas Ordinária’, entre outras”, destaca Walcler Mendes Júnior, professor do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas (Sotepp) do Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas).

Entre as grandes adaptações da literatura para o cinema, há as obras de William Shakespeare, que ao longo do tempo ganharam várias versões. “Desde a década de 1940 temos diversas obras do escritor adaptadas para o cinema. Em um período mais recente na história da sétima arte, temos um diretor que está entre os que melhor adaptaram essas obras para a telona, que é o inglês Kenneth Branagh. Além de atuar nos filmes, ele dirige de forma brilhante as produções que figuram como grandes sucessos, como é o caso de ‘Muito Barulho por Nada’, ‘A Tempestade’, ‘Hamlet 2000’, entre outros. Ele é um especialista em Shakespeare e nessas adaptações, pois trabalha de forma muito rigorosa e próxima da escrita do Shakespeare”, enfatiza.

“Outra grande adaptação, desta vez feita pelo diretor Woody Allen, é a da peça também de Shakespeare intitulada ‘Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão’, que atualiza a narrativa ao mesmo tempo em que mantém uma relação muito próxima do texto original, mas adapta aos problemas vivenciados por casais dos anos 80, que não tem nada a ver com aquela vida da corte de 500 anos atrás do Shakespeare. Neste caso, também temos um ótimo exemplo onde a literatura é adaptada de forma muito inteligente para o cinema”, pontua o professor. 

Asscom | Grupo Tiradentes 

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