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Live Tiradentes aborda emoções em tempo de pandemia

Psicóloga do Napps abordou ansiedade, angústia, medo e luto, entre outras sensações

às 20h28
Live aconteceu no Youtube da Unit
Live aconteceu no Youtube da Unit
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A guerra contra o Covid-19 obrigou a humanidade a mudar urgentemente os hábitos. A sociedade precisou rever suas formas de trabalho, de transmissão de conhecimento e de interação social. Para fazer frente ao perigo invisível, as pessoas se viram forçadas a conviver com o medo frequente e a necessidade de se isolar para cuidar de si e dos outros. Em um cenário como esse, as alterações no estado emocional são inevitáveis.

Para auxiliar sua comunidade acadêmica neste processo brusco de adaptação, o Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL) promoveu, nesta segunda-feira (01), a live “Lidando com as emoções em tempo de pandemia”. O evento foi mediado pela assistente social Mayra Vilar e teve como palestrante a psicóloga Vanessa Kelly Ferreira, ambas profissionais do Núcleo de Apoio Pedagógico e Psicossocial (Napps) da Unit. A live também contou com tradução simultânea para Libras, feito pela intérprete Cláudia Nascimento.

Pós-graduada em Ludoterapia e Psicologia Clínica Infantil, Vanessa fez valer a sua experiência nas áreas clínica, organizacional e educacional para orientar a comunidade sobre como lidar com emoções, como a angústia diante das incertezas e a ansiedade por conta do isolamento. Segundo a psicóloga, o isolamento, em si, pode ser um fator desencadeador da ansiedade.

“Somos seres de relações e nos vemos impossibilitados do convívio direto com as pessoas. Além disso, a mudança repentina da rotina, principalmente para quem desenvolvia muitas atividades fora de casa e agora está mais recluso; o medo de pegar ou transmitir o vírus, como no caso de quem trabalha home office, mas tem alguém do grupo de risco dentro de casa; tudo isso pode estar contribuindo para o aumento dessa ansiedade”, observou Vanessa.

Muitas pessoas vêm relatando sensação de desespero nesses dias de pandemia. Para a psicóloga do Napps, é preciso observar de que forma esse desespero se apresenta. “É momentâneo e depois se dissipa, sem atrapalhar as tarefas cotidianas, ou já começa a limitar, trazer consequências para o dia a dia? Quando passa a tirar o indivíduo do eixo, a mexer com o emocional, aí há um alerta e é preciso cuidar para não ganhar proporções maiores”, orientou.

Vanessa Kelly também abordou o efeito do bombardeio de notícias ruins, divulgadas na imprensa e redes sociais, no estado emocional das pessoas. “O contato praticamente 24 horas com informações sobre quem está em estado grave, o número de óbitos, vagas nos hospitais, tudo vai se somando ao que já temos em nosso imaginário. É interessante que a gente não passe o dia inteiro ligado nas notícias que podem trazer consequências para o emocional e faça uma ‘limpeza’ das informações que vai consumir, procure fontes confiáveis, até porque há muitas fake news”, alertou.

“Viver o agora”

Outro tema comentado na live foi o controle do medo. “O vírus está no ambiente, mas não temos que ficar 24 horas pensando a respeito ou vivenciando esse medo, que pode mexer muito com o nosso emocional. Precisamos entender que existe um perigo real, mas estamos tomando medidas para permanecer bem. Só saímos quando necessário, usamos máscara, álcool em gel, mantemos distância das pessoas. Diferentemente dos profissionais da saúde, que estão em espaços com pacientes infectados, se ficamos em casa, devemos compreender que esse risco também diminui um pouco”, comenta Vanessa Kelly.

A psicóloga ainda tirou dúvidas sobre como combater a dificuldade ou perda do sono e sugeriu formas para que as pessoas possam se acalmar, como uma técnica de respiração e a inclusão de atividades que proporcionem a sensação de bem-estar na rotina. Questionada sobre como amenizar a angústia provocada pelas incertezas, Vanessa disse que o mais importante é viver o agora.

“A gente sabe que isso vai passar, mas, enquanto não acontece, é preciso se adaptar à realidade do momento. Se minha realidade é trabalhar home office, assistir aulas online, eu preciso desenvolver um processo de adaptação, por mais difícil que possa parecer. Quanto mais eu resisto ou espero, mais a angústia e a ansiedade podem se fazer presentes”, comentou.

Falta de atenção
Outra questão respondida por Vanessa Kelly a partir das dúvidas dos internautas, que interagiram com a live através da sessão de comentários, foi sobre a falta de atenção por conta da rotina na pandemia.

“É importante a pessoa perceber quais são os fatores do ambiente que podem estar contribuindo para essa falta de atenção – como o celular que toca ou o pessoal de casa transitando – e quais os fatores internos. Eu diria até que, em algumas situações, a gente consegue lidar muito mais fácil com os fatores externos. Então é ficar atento e, se necessário, procurar ajuda de um psicólogo ou de um psicopedagogo”, aconselhou.

Outra pergunta foi sobre como lidar com a perda de parentes e amigos sem a possibilidade de se despedir adequadamente. Vanessa destacou que sem os rituais do sepultamento e o velório, a pessoa deve encontrar meios de se despedir, seja numa conversa com algum familiar ou escrevendo uma carta para aquela pessoa.

“São formas simples, mas que a gente pode utilizar nessas situações. No processo psicoterápico há algumas técnicas utilizadas, mas lidam com um emocional muito mais profundo, é preciso que o paciente esteja em acompanhamento psicoterápico”, concluiu.

Para conferir a live na íntegra, clique aqui.   

Por Álvaro Muller – Algo Mais Consultoria e Assessoria

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