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Inflação tem previsão de queda, mas segue pressionada

Boletim prevê que a inflação oficial do país deve cair de 6,4% para 3% nos próximos três anos, mas alta de alimentos e do petróleo podem frustrar o cenário

às 21h23
Valorização do real frente ao dólar é apontada como um dos fatores para a tendência de queda nos índices de inflação (Daniel Dan/Pexels)
Valorização do real frente ao dólar é apontada como um dos fatores para a tendência de queda nos índices de inflação (Daniel Dan/Pexels)
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Diante de um cenário interno e externo ainda turbulento, a economia brasileira começa a dar alguns sinais de reação à crise. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira, 13, revisou para baixo a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente como parâmetro para medir a inflação no Brasil. Conforme o boletim, que aufere previsões de indicadores das instituições financeiras do país, o IPCA deve fechar o ano de 2022 em 6,4%. 

O valor está ligeiramente abaixo dos 6,61% previstos anteriormente, mas muito acima da meta de 3,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O Focus estimou também que, no ano de 2023, a inflação deve ficar em 5,17%. Já para os dois anos seguintes, 2024 e 2025, as previsões para o IPCA são de 3,47% e 3%, respectivamente.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede o IPCA, informou que a inflação teve uma queda de 0,36% em agosto, após outro recuo de 0,68% em julho. Com isso, a alta acumulada do índice oficial é de 4,39% no ano e 8,73% em 12 meses.

O economista Edgard Leonardo Meira, professor do curso de Administração do Centro Universitário Tiradentes (Unit Pernambuco), explica que o IPCA reflete o custo de vida da população do Distrito Federal e das 10 principais regiões metropolitanas do Brasil, a partir de itens como alimentação e bebidas, transportes, despesas pessoais, habitação, vestuário, educação e outros. Segundo ele, vários elementos podem impactar os preços dos itens presentes em cada categoria, como pressões de demanda e de custos, causadas por problemas climáticos, oscilações de preço ou falta de insumos.

Ainda de acordo com Edgard, os preços dos produtos e serviços são igualmente influenciados por fatores como inércia inflacionária e expectativas de inflação, que uma vez instalada, fica difícil de ser freada e tende a se retroalimentar. “A própria expectativa de aumentos de preço criam uma dinâmica, onde todos tentam se proteger, elevando seus próprios preços preventivamente. O que alimenta ainda mais o processo inflacionário”, pontuou. 

Ele acrescenta que os preços podem ser contaminados pela desvalorização do real frente ao dólar ou pela disparada do valor de algum produto ou insumo, como o barril de petróleo, os fertilizantes ou a energia elétrica, que acabaram fortemente afetados pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Isso, conforme o professor, acaba impactando os custos de produção de todos os itens, causando um efeito em cadeia que também ajuda a alimentar a inflação

Por quê caiu?

Sobre a tendência de queda nos indicadores de inflação, o professor avalia que alguns aspectos combinados vem contribuindo para que isso ocorra, como o recente corte nas alíquotas de impostos federais e estaduais em produtos como combustíveis, energia elétrica e banda larga. 

“Isso causou uma momentânea redução de pressão inflacionária. Porém, ocorreu de maneira combinada com uma relativa valorização do real frente ao dólar e, principalmente, uma tendência de queda do preço do barril de petróleo (que chegou a ser negociado a preços futuros na faixa de US$ 140 e recuou para cerca de US$ 90)”, explica Edgard, alertando que este cenário positivo pode ser frustrado por uma nova pressão inflacionária, que permanece sobre os alimentos em todo o mundo e pode voltar a ocorrer após a redução da oferta mundial de petróleo, anunciada na semana passada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). 

Asscom | Grupo Tiradentes
com informações da Agência Brasil 

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