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Educação midiática: um desafio urgente

Conceito de ensino praticado em escolas visa fazer com que as pessoas entendam e selecionem criticamente as informações que recebem, evitando as ‘fake news’

às 18h37
Assim como nas escolas, os pais devem orientar as crianças a compreender, interpretar e filtrar o que circula na mídia e nas redes sociais (WOCInTech/Unsplash/EducaMídia)
Assim como nas escolas, os pais devem orientar as crianças a compreender, interpretar e filtrar o que circula na mídia e nas redes sociais (WOCInTech/Unsplash/EducaMídia)
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Um dos desafios impostos pelas novas tecnologias é filtrar e selecionar o que é útil ou relevante em meio à avalanche de informações despejadas diariamente por redes sociais, sites de internet e meios de comunicação em geral. Entre os especialistas, costuma-se dizer que os tempos de hoje podem ser chamados de Idade Mídia, um trocadilho com Idade Média, que define o excesso de informação e de comunicação. A partir disso, um novo conceito de educação foi desenvolvido nesse sentido: a educação midiática, que prepara as pessoas para um consumo mais selecionado, crítico e qualificado das informações que recebe diariamente. 

“A educação midiática, educação para a mídia ou educomunicação pressupõe uma postura crítica perante as mídias e suas linguagens, o domínio de competências dos códigos necessários para a produção de suas próprias narrativas e, por fim, o acesso às mídias para divulgação destas narrativas”, conceitua o professor Ronaldo Linhares, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED) da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe)

O conceito se impõe a partir da constatação de que, com o advento das tecnologias de internet e comunicação, principalmente celulares e tablets, todas as pessoas passaram a ser potenciais consumidoras e produtoras de informação e conteúdo. E também com o advento das notícias falsas, as chamadas fake news, que podem ser utilizadas tanto como arma de propaganda política como também para a prática de delitos ligados à honra e ao decoro. 

Linhares acredita que a população está cada vez mais influenciada pelas fake news, devido a fatores como “o mar de informações, o pouco hábito de leitura e de leitura crítica, o analfabetismo informacional e os objetivos daqueles que constroem e divulgam notícias falsas”. Para ele, a educação midiática é necessária para ampliar e fortalecer a cidadania a partir da literacia multimidiática, que é a capacidade de ler e interpretar criticamente tudo o que é publicado nas mais diversas mídias, em seus mais variados tipos. “Entendemos que para atingir a completa cidadania, é exigido do sujeito saber interpretar as mídias e suas novas linguagens. Não basta só ler e escrever um texto, é preciso saber lidar com televisão, cinema, rádio e como usar a internet a favor da sua própria formação”, afirma ele. 

Assim, as escolas podem bem aplicar a educação midiática, fazendo com que os professores treinem os alunos para três atitudes básicas: ler criticamente, escrever com responsabilidade e participar ativamente das discussões do espaço público. “Ela pode ser ensinada e aplicada respondendo aos desafios de ler o contexto, problematizar este contexto, aprender a gramática e uso das mídias, lendo e criticando, e produzir suas próprias narrativas e interpretações para estes problemas”, mostra o professor. Modelos de educação midiática já podem ser encontrados em diversos países, a exemplo do Canadá, onde essa prática é obrigatória em alguns níveis do equivalente ao ensino fundamental

E em casa? Como os pais podem ensinar e aplicar a educação midiática com os filhos? “Acompanhando o uso das mídias e discutindo com os filhos algumas informações muito divulgadas pelas mídias e oferecendo uma diversidade maior de linguagens multimidiáticas, narrativas e formatos de leituras de mundo construída pelas mídias. É importante destacar com os filhos o papel social das mídias numa sociedade democrática”, responde Ronaldo, ressaltando que isso deve ser feito  “desde o momento que os pais permitem o acesso das crianças as mídias”, delimitando e explicando o tempo, a qualidade, o significado e a forma como este acesso acontece. 

Na visão do professor do PPED, fazer com que as pessoas não caiam nas fake news passa pela educação midiática, mas não isoladamente. “Passa pela educação como um todo, uma proposta de educação crítica e autônoma; um acesso ao maior número de formatos e narrativas midiáticas, e principalmente por um maior e mais amplo acesso a cultura em sua natureza diversa e múltipla”, conclui Linhares.

Asscom | Grupo Tiradentes
com informações do EducaMídia

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