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“Doenças não respeitam fronteiras”, diz diretora do CDC dos EUA a alunos de medicina do Grupo Tiradentes

Juliette Morgan explicou o que é e como funciona o CDC - agência responsável pelas ações de pesquisa, monitoramento, prevenção e combate às doenças infecciosas e não-transmissíveis

às 18h11
Juliette Morgan - Infectologista
Juliette Morgan - Infectologista
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Foi realizada nesta segunda-feira (08), a Aula Magna que inaugurou as atividades anuais dos cursos de Medicina ligados ao Grupo Tiradentes. Ela consistiu em uma palestra feita pela infectologista americana Juliette Morgan, diretora do Escritório Nacional da América do Sul do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em Brasília (DF). A especialista falou principalmente sobre estratégias globais de saúde e prevenção de doenças capazes de atingir vários países. 

A aula foi aberta com mensagens de boas-vindas do corpo diretivo do Grupo Tiradentes. O presidente Luciano Klima destacou que o momento representa a realização de sonhos e projetos de vida, principalmente para os estudantes que decidiram abraçar a Medicina como profissão. “Fico feliz de fazer parte desse momento tão especial da vida de cada um. Esse dia foi sonhado por vocês, o de entrar na universidade e para um curso tão disputado, tão importante e com o propósito de salvar vidas. Que vocês possam realizar o sonho de ser, acima de tudo, profissionais qualificados, dedicados e pessoas melhores, que contribuem com uma sociedade mais justa e fraterna, e impactam na vida de muitas pessoas”, saudou Klima.

A diretora do CDC, que se formou na Argentina e já trabalhou em pesquisas no Brasil, também saudou os novos estudantes, destacando a trajetória do Grupo Tiradentes na formação acadêmica e nos serviços prestados à população no Nordeste. Ela ainda destacou que o compartilhamento de conhecimentos e experiências é um dos valores que guiam a busca pela excelência na arte de aprender e de ensinar. 

Morgan também explicou o que é e como funciona o CDC, uma agência pública de saúde fundada em 1946, pertencente ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e que está responsável pelas ações de pesquisa, monitoramento, prevenção e combate às doenças infecciosas e não-transmissíveis. O órgão já atuou em várias missões de combate a epidemias e doenças em todo o mundo, como a erradicação mundial da varíola, em 1979; da eliminação da poliomielite nas Américas, em 1994; da pandemia da gripe H1N1, em 2009; do surto de ebola no oeste da África, em 2014; do surto de zika vírus no Brasil, em 2016; e, desde dezembro de 2019, da pandemia da Covid-19. 

Saúde global

A médica afirma que a atuação do CDC se enquadra no conceito de saúde global, que busca colaborar com a prevenção e combate a doenças em todo o mundo, através de quatro escritórios regionais (incluindo o de Brasília) e acordos bilaterais com mais de 60 países. Para ela, o órgão tem foco na saúde pública dos Estados Unidos, mas atua em outros países porque “reconhece que as doenças não respeitam fronteiras”, a exemplo do novo coronavírus. “É como estamos vendo hoje. Estamos conectados de uma maneira integral quanto às doenças”, resume. 

Juliette destacou que a pandemia veio mostrar, na prática, o que significa a estratégia de segurança global de saúde. “Se nós pensarmos, essa situação do Covid-19 é um exemplo perfeito da segurança de saúde. Quando as capacidades de um país não são suficientemente fortes para prevenir ou, quando surge um surto, para controlar aquele surto, estamos vivendo essa situação, onde os sistemas de saúde não conseguem controlar uma epidemia e ela vira uma pandemia”, disse ela, acrescentando que um dos papéis do CDC é auxiliar tecnicamente esses países, adotando estratégias de controle, aperfeiçoando os sistemas nacionais de vigilância em doenças e ensinando aos técnicos e especialistas locais sobre como as doenças devem ser detectadas e tratadas. “Queremos fazer parcerias igualitárias. Não estamos aqui para dizer a ninguém como se deve fazer as coisas. Estamos para trabalhar juntos com vocês, aprender, intercambiar as expertises e experiências dos países”, ressaltou.  

De acordo com a diretora, os principais objetivos de uma estratégia de saúde global são: proteger os cidadãos de cada país contra surtos de doenças; compartilhar práticas em implementação de programas, pesquisa, comunicação e políticas; fortalecer os sistemas de saúde; garantir a equidade e acesso a todos na saúde; salvar vidas e prevenir o espalhamento de doenças; e promover sociedades estáveis. “Quando a sociedade tem saúde e é estável, vemos progresso e crescimento econômico”,  resumiu.

A diretora do CDC concluiu com uma reflexão sobre três principais lições aprendidas com a pandemia do coronavírus. “Temos que trabalhar juntos e colaborar. Nenhuma instituição ou país pode ganhar sozinho a batalha contra esse vírus. Temos que evitar a politização da saúde, porque isso prejudica a capacidade de resposta. Sempre devemos manter o enfoque na evidência e na ciência. E temos que entender que essa pandemia tem um custo enorme para todos. É hora de ver mais investimentos dos governos de todo o mundo na área de saúde pública e na prevenção dos surtos, para evitar o que estamos vivendo agora”, exortou Juliette. 

A Aula Magna dos cursos de Medicina está disponível pelo canal do Grupo Tiradentes no YouTube, através do link: https://youtu.be/bRDhApy-AsE

Por Ascom GT – Gabriel Damásio 

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