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Diálogo e inclusão são armas de empresas no combate ao racismo

Debate sobre a igualdade racial ganha o engajamento de empresas, que abraçam a causa em políticas internas; Grupo Tiradentes tem disciplinas voltadas ao tema em seus cursos

às 18h40
Dia de Combate à Discriminação Racial marca o Massacre de Shaperville, ocorrido em 1960 na África do Sul (Arquivo/UPI)
Dia de Combate à Discriminação Racial marca o Massacre de Shaperville, ocorrido em 1960 na África do Sul (Arquivo/UPI)
O professor Ronaldo Marinho, do curso de Direito da Unit Sergipe
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Este domingo, 21, marca o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial. A data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) lembra o episódio conhecido como “Massacre de Shaperville”, ocorrido em Johanesburgo, na África do Sul, em 21 de março de 1960. Neste dia, a polícia local reprimiu a tiros um protesto da população negra da cidade, que exigia o fim de uma regra imposta pelo “Apartheid”, o regime racista vigente no país à época. Os confrontos deixaram 69 mortos e mais de 180 feridos. A data também traz para o debate a luta por mais igualdade entre povos e pessoas de diferentes raças, abolindo práticas e políticas que diferenciem pessoas  por qualquer motivo, principalmente pela cor da pele ou pela origem. 

Para o professor Ronaldo Marinho, do curso de Direito da Universidade Tiradentes (unidade Sergipe), o racismo estrutural pode ter um fim a partir de medidas e políticas públicas que o combatam dia-a-dia. “O racismo está impregnado em comportamentos, atitudes do nosso cotidiano, e, de uma forma muito cruel, ele elimina o outro em virtude da sua raça. Daí a importância da gente discutir esse tema e ter um dia que venha alertar todos nós sobre esse problema, que é um problema que nós devemos enfrentar de forma adequada. É não fazer de conta que ele não existe, porque ele é real e machuca, atrasa o desenvolvimento de países e o crescimento das pessoas”, alerta o professor. 

Nos tempos atuais, as empresas também estão cada vez mais engajadas na diminuição das desigualdades entre as pessoas e no combate à disciminação. Uma das práticas mais adotadas é a inclusão dos temas em debates e rodas de conversa que têm a participação mais ativa de funcionários negros. Ronaldo destaca que outras medidas, conhecidas como “ações afirmativas”, podem ser adotadas.  

“Seja com política de cotas, para acesso não somente a empresa, mas também acesso a cargos de chefia dentro da estrutura da empresa. Eu acho que é uma medida que visa buscar essa igualdade, mas também é necessário que a própria empresa privada discuta esses temas com seus funcionários. De forma que possa melhor transformar aquela realidade, as pessoas entenderem esse processo de discriminação racial e com isso conseguir enfrentar de forma mais adequada”, pontua o professor. 

Papel da universidade

As escolas e universidades têm um papel importante em manter o debate em evidência e provocar ações concretas entre os outros atores da sociedade. No Grupo Tiradentes, ele aparece com a criação da disciplina “Relações Étnico-Raciais”, que está presente em todos os cursos das instituições e busca aprofundar, junto à comunidade acadêmica, as discussões e os conhecimentos relacionados às temáticas raciais e sociais. Outra disciplina presente nos cursos ensina sobre a “História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena”. 

“A universidade buscou também fortalecer esse tema em congressos e seminários que promove. Além de incentivar pesquisas na área e buscar instrumentos que possam reduzir a discriminação racial, conhecer esse processo, de forma que a gente possa enfrentá-lo mais adequadamente. A universidade tem esse compromisso com o tema e, todos os anos, ela busca incluir na sua programação anual, não somente a questão relacionada à discriminação racial, mas outros temas que são de relevância para as minorias”, ressalta Marinho, citando também pesquisas relacionadas ao tema, que são desenvolvidas pelos cursos de mestrado e doutorado em Direitos Humanos, do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD).

Ainda de acordo com o professor, o cuidado com o tema também é levado em conta na organização das atividades de palestras, seminários e congressos. “Nós temos sempre o cuidado de respeitar a questão de gênero e raça na escolha dos palestrantes, na definição dos temas, de que você possa ter uma ampla discussão com a sociedade, uma ampla discussão com a comunidade acadêmica sobre esses temas, com atores que possuem que a gente chama de ‘lugar de fala’, ou seja, que tem atuação direta com aqueles temas”, destacou Ronaldo. 

Internamente, o assunto também é levado a sério, pois as políticas de contratação e de ascensão, bem como o Código de Conduta, sinalizam para a igualdade e politica de combate à discriminação de todos os matizes. O próprio Código é claro ao afirmar que o Grupo Tiradentes não admite “nenhuma forma de discriminação ou preconceito, por qualquer motivo (sexo, idade, cor, preferências, convicções, etc.) sendo um ato de desrespeito à pessoa e aos seus direitos fundamentais”. 

Ascom | Grupo Tiradentes

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