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Dia Internacional da Síndrome de Down

Data é celebrada desde 2006 e faz alusão à trissomia do cromossomo 21, presente em pessoas com Down

às 20h44
O Centro Universitário Tiradentes – Unit nesta quarta-feira, 21, celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down e pensando nisso conversamos com a Psicóloga Verônica Carvalho sobre as nuances da síndrome, como lidar com ela e quais os números atualizados no Brasil.
Verônica Wolff, nossa Psicopedagoga, enfatiza que inclusão é a busca de qualidade de vida para todas as pessoas
A psicóloga Verônica Barbosa acredita que essa data contribui para o conhecimento da sociedade
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A síndrome de Down ou trissomia do 21 é uma alteração genética caracterizada pela presença de um cromossomo extra nas células de um indivíduo. Essa mesma condição traz alguns problemas no desenvolvimento corporal e cognitivo, apresentando características físicas típicas e deficiência intelectual em diferentes graus.

Estima-se que, a cada 700 nascimentos, um bebê tenha a condição. As chances são potencializadas com o passar da idade das mães, transformando-se em um dos maiores fatores de risco a gravidez acima dos 35 anos de idade.

A alteração se apresenta do mesmo modo em ambos os sexos, em pessoas de todas as etnias e grupos sociais. Ao longo da gestação o comportamento dos pais não altera, nem diminui as chances da criança desenvolver a síndrome.

Estatísticas

Segundo dados do Ministério da Saúde, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 270 mil pessoas no Brasil são portadoras da síndrome. De acordo com as informações do Movimento Down, a Síndrome de Down não é uma doença, “mas uma condição da pessoa associada a algumas questões para as quais os pais devem estar atentos desde o nascimento da criança”.

Os avanços na conscientização e inclusão de crianças, jovens e adultos com Down nas instituições de ensino são mais um motivo para celebrar a data. Levantamento do “Movimento Down” mostra que já há cerca de 40 alunos com Síndrome de Down nas universidades brasileiras.

Pesquisa realizada no fim do ano passado pela Universidade de Harvard em parceria com o Instituto Alana constatou que educar de forma inclusiva é frutífero para todos os alunos – com e sem deficiência. Segundo o estudo, pessoas sem deficiência que estudam em salas de aula inclusivas têm opiniões menos preconceituosas e são mais receptivas às diferenças. Já os alunos com Down apresentaram uma melhora acentuada na linguagem e na memória.

Salas de aula inclusivas

Segundo a Assessora Educacional Plena e Psicopedagoga do Centro Universitário Tiradentes – Unit –, Verônica Wolff Becker, em um ambiente educacional inclusivo é onde se acredita na verdadeira inclusão. Aprende-se a respeitar, auxiliar e entender a dificuldade do outro. Os alunos aprendem que as pessoas não são iguais e que é através da diferença que se pode agregar conhecimentos e valores, contribuindo para uma prática menos segregacionista.

“Acredito que deveria haver uma mudança de paradigmas nos sistemas educacionais levando em conta as potencialidades dos alunos e não apenas o aprendizado dos conteúdos das disciplinas onde ainda se baseia no quantitativo de nota. Professor com melhor preparo para receber o aluno deficiente seria importantíssimo, fazendo realmente existir a inclusão”, opina Verônica.

Ela ainda ressalta que inclusão não é apenas aceitar o deficiente na Escola, mas sim lhe proporcionar subsídios para que a aprendizagem aconteça de forma igualitária para todos os envolvidos nesse processo. A palavra inclusão é usada quando se busca qualidade para todas as pessoas com ou sem deficiência.

Desafios dos portadores Síndrome de Down

A Psicóloga (CRP 15/1490), Mestra em Educação pela UNICID/SP, Psicopedagoga, Verônica Barbosa, também atua como professora de classe de recursos multifuncionais na Secretaria Municipal de Educação – SEMED/AL. Em sua atuação profissional ela lida com crianças com deficiências – intelectual, Autismo, baixa visão e Síndrome de Down – na escola pública na sala de recursos no município.

Verônica explica que o maior desafio que as pessoas com deficiências enfrentam é a falta de preparo da sociedade para lidar com as diferenças e não saber conduzir a educação a essas crianças. Desafios escolares e familiares são inúmeros e falta uma rede de apoio mais eficiente para atender as necessidades delas.

“A data do dia 21 sobre a Síndrome de Down é um marco que traz para o palco a criança e a família com deficiência, pois as ações levam a sociedade a visualizar as inúmeras possibilidades e potencialidades que eles têm. A família é desafiada desde o princípio e dependendo das expectativas geradas cada uma vai tentando se adaptar num mundo desconhecido, e que a cada dia é uma batalha, e a cada conquista uma vitória. O apoio é fundamental”, ressalta.

A Psicóloga finaliza dizendo que conviver com a criança ou a pessoa com deficiência é um aprendizado contínuo no qual toda a família se envolve e começa a ressignificar seus valores diante dos outros. Assim como os profissionais que tem que buscar conhecimentos constantemente para garantir a autonomia e o respeito às limitações e potencialidades de todos eles! “Com certeza aprendemos muito mais que ensinamos”, pontua.

Amor 21

A Associação Amor 21 possui o objetivo de acolher as famílias, promover troca de experiências entre elas e oferecer orientação do ponto de vista psicológico, afetivo, emocional, físico e cultural.  A entidade colabora para o desenvolvimento das potencialidades, luta pelos direitos e inclusão das pessoas com Síndrome de Down em todos os espaços sociais.

Conheça a origem da data

A ideia surgiu na Down Syndrome Internacional, na pessoa do geneticista da Universidade de Genebra, Stylianos E. Antonorakis, e foi referendada pela Organização das Nações Unidas em seu calendário oficial.

Oficialmente estabelecida em 2006 e amplamente divulgada, essa data tem por finalidade dar visibilidade ao tema, reduzindo a origem do preconceito, que é a falta de informação correta. Em outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.

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