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Crime sem solução: roubo bilionário de obras de arte é tema de documentário

Mais de 30 anos depois, o roubo bilionário de 13 obras de um museu em Boston, permanece um mistério. Caso é uma das estreias na Netflix.

às 19h36
O crime, ocorrido em 18 de março de 1990, levou cerca de 81 minutos e teve um prejuízo estimado em R$ 2,8 bilhões
O crime, ocorrido em 18 de março de 1990, levou cerca de 81 minutos e teve um prejuízo estimado em R$ 2,8 bilhões
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Esse é mais um daqueles casos desafiadores e sem solução. Há 30 anos, o roubo bilionário de obras de arte de grandes nomes das artes plásticas, permanece sendo um mistério, e que agora é tema de um documentário da plataforma de streaming Netflix.

A ação, ocorrida em 18 de março de 1990, levou cerca de 81 minutos. Tempo esse, suficiente para que dois homens vestidos de policiais levassem 13 obras de arte, que estavam expostas no Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston, nos Estados Unidos. Após renderem os guardas que estavam de plantão no local, obras de Vermeer, Rembrandt, Monet, Degas e outros renomados artistas, avaliadas em R$ 2,8 bilhões, foram levadas.

O tempo passou, o caso continua sem solução e é considerado um dos maiores roubos desta modalidade na história. Dividido em vários episódios, o documentário “O Maior Roubo de Arte de Todos os Tempos”, explora detalhes do crime e das investigações.

Desafios nas investigações 

Crimes desta natureza são sempre desafiadores em termos de investigação, por isso, solicitamos a análise do professor de Direito, Ronald Pinheiro, docente da Universidade Tiradentes, Campus Alagoas, sobre o caso.

“Sobre o crime em questão, é importante salientar que especialistas afirmam que a dificuldade da resolução foi devido à falta de interesse das instituições e pelo pouco uso de instrumentos que possibilitassem auxiliar as autoridades, como por exemplo, registro de imagens, gravações e testemunhos acerca da autoria. A maior dificuldade é encontrada justamente na ausência de provas que confirmem a autoria delitiva. Isso se dá em virtude do nível escasso de proteção nos museus de obras de artes, a julgar pela ausência de ferramentas tecnológicas, tais como registros de dados, fotos, imagens e áudios”, ressaltou.

Ainda segundo o professor, a própria Polícia Federal, responsável pelo combate a esse crime no país, demonstra a precariedade dos sistemas de segurança como principal impasse. Tal dificuldade não é somente encontrada no Brasil, mas em vários países, tendo como exemplo o roubo de obras de artes no Museu Isabella Stewart Gardner.

“Percebe-se que a falta de controle de entrada e saída dos visitantes, das pessoas que possuem contato direto com as obras são a causa da baixa resolução de crimes desta modalidade. A falta de interesse em solucionar o crime também foi fator preponderante, visto que as autoridades policiais deixam de averiguar provas importantes, bem como deixam de ouvir testemunhas que estavam presentes no momento do roubo. Trata-se, pois, de crime paciente tanto para os ladrões quanto para a autoridade policial, que fica de mãos atadas ante a ausência de elementos concretos e o escasso acervo probatório. Há quem diga também que a pena para os que roubam determinado bem móvel e para os que roubam obras de artes de valores exorbitantes é a mesma, o que é um absurdo, a julgar pelo prejuízo ocasionado e pelo bem jurídico tutelado, que tratam de bens que fazem parte da cultura e história de um país. Percebe-se, pois, que a maior dificuldade na resolução e investigação nos crimes desta modalidade é institucional, considerando o fato de que não há uma competência específica para tais crimes, o que torna as autoridades policiais despreparadas para investigar e eventualmente solucionar o crime”, enfatizou. 

Asscom | Grupo Tiradentes

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