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Conversa de Jornalista reúne imprensa Alagoana e conquista satisfação dos participantes


às 14h03
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O Centro Universitário Tiradentes – Unit realizou o Conversa de Jornalista, evento que aconteceu no auditório I, nos últimos dias 11, 12 e 13 de setembro. Com o tema Acorda Eleitor ele reuniu formadores de opinião, professores e estudantes do curso de comunicação.

Abrindo o primeiro dia de discussões, a assessora da Câmera Municipal de Maceió, Luiza Barreiros, iniciou a palestra falando sua experiência na editoria de política nas redações de jornais, como Tribuna, Gazeta de Alagoas e o Jornal. Participante de três eleições como repórter, Luiza contou das dificuldades em lidar com notícias de caráter eleitoral e das barreiras em conseguir uma boa fonte, que seja confiável e acima de tudo, que consigam passar informações de interesse social.

Envolvida diretamente na cobertura de eventos políticos como a morte de Ceci Cunha e a prisão do Coronel Cavalcante em 1997, a graduanda em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas, compartilhou da experiência em cobrir pautas que marcaram a história. “É importante que se entenda, que cobertura política não é só falar sobre Assembleia ou Palácio, mas estar sujeito a momentos como esses, que o elemento eleitoral perde o foco pra ceder espaços pra fatos marcantes de interesse social”, destacou Luiza Barreiros.

Mesa Redonda

O panorama da política Alagoana ficou a cargo da mesa redonda com os jornalistas Odilon Rios, Carlos Madeiro, Luis Vilar e João Mousinho. O debate começou com perguntas sobre política, que precisavam ser respondidas pelos presentes. Diversos assuntos foram comentados ao longo da noite, mas tendo como foco principal, a política alagoana e o ponto chave da noite foi à candidatura passada de pai para filho. Segundo dados de uma pesquisa do IBOPE, Renan Filho estaria com mais da metade de intenções do segundo concorrente, Benedito de Lira, que estaria “abandonando” a disputa para se empenhar em eleger seu filho, candidato a deputado Federal. Em seguida Luís Vilar, se manifestou comentando sobre a oligarquia que se pode observar no estado de Alagoas. “Vivemos numa oligarquia, pois nossa política passa de pai para filho”, pontuou. No qual, João Mousinho e Carlos Madeiros também concordaram com o comentário feito.

Segundo Dia

Quem marcou presença no segundo dia foi a alagoana Eliane Aquino, que trouxe a palestra sobre, “Jornalismo: um palanque democrático?”. Ela falou sobre ética, política e jornalismo. Aproveitando o momento para trazer as necessidades que os jornalistas carregarem ao levar a memória do cenário político de Alagoas. “É preciso conhecer o passado para escrever o presente e construir o futuro”, comenta.

Com trinta e cinco anos de carreira, Eliane Aquino foi a primeira mulher a fazer jornalismo político e citou alguns exemplos de machismo que passou para conseguir algumas informações dentro da Assembleia Legislativa. Visto que no começo, ela era uma jovem garota de apenas 19 anos, mas afirma que sua maior vontade era ser vista como jornalista. “Não queria ser vista como uma menina com menos duas décadas de idade, nem como mulher, mas sim como jornalista”, pontua.

A estudante do curso de Jornalismo, Yasmin Assis, citou o seu agrado pela conversa com Eliane, principalmente pelo despertar que a profissional trouxe aos que estavam presentes com o fato de procurar conhecer a história da política e não somente ficar embasado no cenário atual no qual os jovens de hoje fazem parte. “Como ela foi a primeira jornalista mulher a tratar de política em nosso estado, é bom ver o que mudou com a internet e as novas tecnologias, e ela soube ponderar e explicar isso bem”, pontua.

De acordo com o coordenador do curso de Comunicação Social, Raphael Araújo, o Conversa de Jornalista começou como algo pequeno, um bate papo dentro de uma sala de aula e é gratificante perceber como o evento cresceu.  “É muito importante perceber que a instituição proporcionou um momento único para os acadêmicos do curso e para alunos de outras faculdades, ficamos alegres com o resultado positivo”, comenta.

Terceiro Dia

Na sexta-feira (12) foi o dia do Juiz de direito Márlon Reis, reconhecido nacionalmente por seu combate á corrupção na política brasileira. O juiz, dono de uma vida pública invejável – considerado em 2009 um dos 100 brasileiros mais influentes pela Revista Época – tornou-se publicamente conhecido após a reportagem do Fantástico, baseada no seu livro “O Nobre Deputado”, no qual denuncia o esquema de financiamento de campanhas eleitorais através de um candidato fictício denominado Cândido Peçanha, que representa o político desonesto. O livro retrata de forma muito didática e chocante como nasce, cresce e se perpetua um político corrupto no Brasil.

Márlon Reis é também conhecido pelo pseudônimo de “juiz da ficha limpa”, por ser um dos idealizadores e redatores da Lei da Ficha Limpa, que impede a participação eleitoral de candidatos que tenham sofrido condenações criminais em âmbito colegiado. Sua explanação no auditório da Fits inicia com um vídeo de reportagens e entrevistas feitas sobre ele nos principais veículos de mídia, bem como suas repercussões, positivas e negativas, sobretudo entre os políticos em Brasília que se sentiram ofendidos pelas acusações, as quais intitularam de “vagas e genéricas” devido ao fato de não citar nomes. “A minha intenção nunca foi acusar alguém, o livro é um libelo-crime acusatório contra sistema eleitoral brasileiro que é uma fábrica de Cândidos Peçanhas, ele facilita a vida desse tipo de pessoa e dificulta a vida dos líderes efetivos”, afirma. Temos as campanhas mais caras do mundo, somente na última eleição, em 2010, foram gastos 4,5 bilhões de reais. E os maiores ganhadores e principais investidores deste esquema são empreiteiras, bancos e mineradoras, acrescenta.

Para fechar o evento com chave de ouro o jornalista alagoano Delane Barros, Assessor de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas e da Secretaria Municipal de Educação de Maceió, ministrou a palestra sobre “O comportamento do político perante o eleitor”. Ao abrir as discussões, Delane citou que a grande maioria dos candidatos estaduais e federais não conhecem as funções do parlamento a qual disputam. “Se o candidato chega com um discurso radicalista, ele ficará isolado lá dentro”, afirmou.

Sobre fontes, Delane diz que não vê mal algum, pois sempre teve e se relaciona com todas elas. “Essa relação às fontes, é essencial para a manutenção das nossas informações, precisamos ter a vontade de ter mais informações”, comenta. Após quase uma hora, Dalene Barros encerra sua conversa com os acadêmicos e profissionais que estavam participando da palestra, passando a palavra à Ellen Oliveira que iniciou sua palestra em cima do tema “O perfil do eleitorado: um recorte midiático”.

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