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Consciência Negra: representatividade importa e é necessária em uma sociedade

Unit realizou a 14ª Semana da Consciência Negra em parceria com movimentos sociais, pesquisadores e alunos de Direitos Humanos

às 18h58
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O ano de 2020 foi acometido pelo novo coronavírus, provocando uma pandemia que não tem previsão de acabar tão cedo. Com o isolamento social, a necessidade das relações interpessoais acelerou a transformação digital, mas também destacou casos de racismo e violência contra pessoas negras, fortalecendo movimentos sociais e digitais antirracismo. Diante desse cenário, a Universidade Tiradentes realizou a 14ª Semana da Consciência Negra, organizado por mulheres negras e liderado pelo doutor em Direito e professor do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Unit, Ilzver Matos.

A intenção é destacar a vivência negra com perspectivas positivas e plurais, provocadas também pela positivação da educação. Como? Conscientizando o espaço acadêmico, cada vez mais, sobre esta pauta.

“Esta 14ª Semana da Consciência Negra é o resultado de algumas articulações que a gente vem fazendo nos últimos tempos. Temos conseguido compor um bom grupo de estudantes negros e negras dentro da Unit, pautando os debates raciais dentro da academia, trazendo movimentos sociais para discutir problemas e soluções, não somente nos Direitos Humanos, mas em vários campos do conhecimento”, explica Ilzver Matos, pesquisador da temática.

Este ano, o evento abordou a ancestralidade, o pensamento Sankofa, provocando a volta às raízes para reescrever o futuro e foi construído por três mulheres negras, estudantes do mestrado em Direitos Humanos da Unit: Érica Chagas, Daiane Rocha e Wézya Ferreira. “É uma atividade que marca a responsabilidade social da Unit com o debate sobre a promoção da igualdade racial e tem sido um marco dentro da nossa instituição no que se refere à população negra e problemática racial que ainda é tão persistente no que diz respeito a negativa de direitos e dificuldade de implementação de políticas públicas”, pontua Ilzver Matos.

Abertura

No último dia 18, a oradora do primeiro dia de evento, foi a liderança feminina negra no bairro 17 de Março, de Aracaju (SE), Iva Mayara. “Tenho 29 anos, fui mãe aos 13 e é muito difícil ser jovem, mãe negra nesse país. Consegui vencer na vida graças à Educação! Pude fazer minha faculdade, me formei em Administração, para proporcionar um futuro diferente do que eu tive para minha filha. Pensei mudar um pouco minha realidade para mudar a dela”, conta Iva Mayara.

Na mesa redonda “Caminhos de aquilombamento e conexões afrodiaspóricas: estratégias e (sobre)vivências negras”, a professora, cientista social, antropóloga e socióloga, Yérsia Assis, reforçou a importância da positivação da educação para a população negra. 

“Algumas coisas que a gente já empurrou enquanto movimento social negro retornaram agora com uma perspectiva que também é nossa. Quanto mais pesquisadoras negras e pesquisadores negros se apropriam de várias categorias – ainda mais as que dizem respeito de si -, fazendo revisão crítica, melhor podemos analisar e perceber essas questões”, coloca.

A mesa redonda foi presidida por Adriana Thiara Oliveira (doutoranda e mestra em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas na Unit Alagoas e professora do Instituto Federal de Alagoas – Ifal); e como mediadora Érica Delfino (bacharel em Direito e mestranda em Direitos Humanos pela Universidade Tiradentes).

Para a coordenadora do PPGD da Unit, professora Gabriela Maia Rebouças, a Semana é sempre um espaço importante e necessário dentro e fora da academia.

“É um momento de muita força e de muita vida que além de refletir as questões da consciência negra, amplifica as possibilidades que esse símbolo engloba. Esse deve ser um projeto de vida para todos nós que defendemos os Direitos Humanos, que defendemos uma sociedade que reconheça sua ancestralidade, suas raízes, seu povo, sua diversidade, sua riqueza e nossa população é nossa maior riqueza, é para ela e por ela que devemos trabalhar, evoluir e pesquisar”, acredita Rebouças. 

Visita à Serra da Barriga

Ainda na programação da Semana da Consciência Negra, haverá uma visita presencial à Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), organizada pelo Núcleo de Identidade, Diversidade e Gênero (NID) da Extensão do Centro Universitário Tiradentes. A visita está programada para a próxima sexta-feira (27), onde estudantes participarão do projeto Sobe a Serra, para conhecer in loco onde ficava o Quilombo dos Palmares.

Por Raquel Passos – Unit/SE

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